Sobre o Natal

Para nós pais que vivemos no paraíso das culpas e da ânsia de fazer o melhor para os pequeruchos a todo o tempo, o Natal traz algumas dúvidas: Eu devo mentir para o meu filho sobre o Papail Noel? Devo valorizar essa época mesmo sendo de outras religiões não-cristãs? Essa época está ganhando conotações tão comerciais, devo reforçar o envolvimento dos meus filhos com o Natal?

Vamos tentar colocar um pouquinho disso tudo em discussão, bem leve como deve ser tudo no Natal. Como pediatra e mãe, sou do time que acha que temos que contar a verdade para os pequenos a todo o tempo. A forma deve ser adaptada conforme a possibilidade de entendimento de cada criança, mas definitivamente não me entendo como quem mente para as crianças ao alimentar os sonhos de Natal. No máximo omito e entendo que o Natal é um tempo de entender tudo de forma mais mágica e com olhos mais generosos. Nessa época, opto por ser colaboradora ativa do Papai Noel! Escrevemos juntos a cartinha para o Papai Noel, sempre com uma lista e um desenho. O Papai Noel pode escolher conforme o que está na lista e de acordo com a possibilidade econômica. Afinal nem sempre essa gnoma tem dinheirinho para ajudar o Papai Noel a prover alguns presentes mais caros. Esse ano estamos em uma casa nova e não dispondo de lareira, optamos por ajudar o Papai Noel a colocar os presentes todos na varanda, afinal ele vem rapidinho e não pode perder tempo. Na falta de chaminé ou janela que pudesse entrar, largará todos os presentes na varanda com ajuda dessa gnoma. Tudo bem arrumado e separadinho por criança, se tiver criança acordada não terão presente. Envolvida nisso, acredito que tenho a chance de criarmos grandes memórias para nossos pequeninos. Qual de nós, já adultos, não carrega consigo alguma memória deliciosa de um Natal gostoso, cheio de expectativas do que iria ganhar e cheiros maravilhosos que saiam da cozinha e se misturaram na memória formando doces momentos de infância?

Existe algo mais mágico do que o bom velhinho que faz o pequeno milagre de atravessar todos os continentes e distribuir, sem erros, bilhões de presentes? Até a NASA nos dá um meio de seguir o caminho da trupe do Papai Noel ao longo da longa noite de entregas e nos dá uma dimensão visual da magia e da possibilidade. É pura mágica e milagre, que para ser melhor compreendida pelos pequeninos mais exigentes e questionadores ainda interage e ganha pitadas de realidade. Quem nunca deixou cookies e leite para o velhinho? Ou escreveu uma cartinha esperançoso em ganhar um presente? Ou se esforçou para ter a chance de ganhar um presente no Natal?

Não há dúvida de que o Natal ganhou sim características e tons muito comerciais, mas em sua origem Santa Claus ou Saint Nicolaus era bem real e atuava generosamente doando dinheiro e presentes para os menos afortunados. Porque não aproveitamos e resgatamos as origens e princípios do Natal e cultivamos a boa vontade e os bons valores vigentes nessa época? O Natal é uma das grandes datas do comércio, mas não significa que não podemos usar de bons valores nas nossas celebrações. É na época do Natal que temos muita vontade de melhorar, relembramos a necessidade de sermos gratos, frequentemente nos preocupamos mais com dar que receber, nos cercamos e cuidamos das nossas famílias e nos voltamos para a reflexão sobre o ano e sobre nós mesmos. Começamos a fazer o balanço do ano e somos reflexivos e mais parcimoniosos. Tudo isso não é ótimo para ser ensinado para as nossas crianças? Nós que já não temos tempo, teremos crianças que possivelmente ainda mais que nós precisarão apreender a ter um tempo para si e suas reflexões. Esse mesmo tempo que já não temos, vem levando embora a possibilidade de sentarmos à mesa todos juntos para nos alimentar socialmente e nutricionalmente no dia-a-dia. Mas não no dia de Natal, quando todos estão juntos celebrando estar ali juntos à mesa cercados das boas energias que conseguimos nos evocar nessa temporada, independente de religiões ou culturas.

E por fim, nós educadores e pediatras estamos sempre querendo que os pais abandonem métodos coercitivos e utilizem mais de reforços positivos para moldar os comportamentos de suas crianças. Uma das estratégias que podem ser usadas é elogiar e presentear quando estivermos diante de um bom comportamento. Ou seja todo menino que ganha na noite de Natal um presente por ter sido um bom menino naquele ano foi reforçado positivamente para que seja bonzinho! Quer algo mais natalino e educativo? Toda a boa vontade do mundo pode estar mobilizada a favor do pequenino e sua boa educação.

O Natal e o bom velhinho com suas características próprias são educativos e generosos com nossas crianças; aproveitemos o verdadeiro espírito natalino, e o melhor dessa temporada celebrem o dia de hoje e o privilégio de poder agradecer e ser generoso! Se envolvam em boas doses de mágica que certamente serão mais natalinos e mais inspiradores. No mais, aproveitem-se!

-Débora

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