A memória do bebê

Seu bebê é capaz de se lembrar?

Se sim, do que ele se lembra e por quanto tempo? Daqui a alguns anos, ele poderá se lembrar de como era ser um bebê? Por quê? Essas são perguntas feitas por muitas mamães e papais e hoje, graças a estudos importantes sobre o desenvolvimento cerebral dos bebês, é possível respondê-las.

Existem, de maneira geral, dois tipos de memória: a de longo prazo, dedicada a armazenar informações por um período grande de tempo e a de curto prazo, responsável por guardar dados por um curto período de tempo. Estudos indicam que a primeira memória a se desenvolver nos bebês é a memória de longo prazo. E isso ocorre em duas etapas, visto que este tipo de memória possui dois principais sistemas. O primeiro a ganhar forma é o que cuida de memórias implícitas, ou seja, memórias que nos auxiliam a fazer algo que já foi aprendido ou reconhecer padrões e associações.

São exemplos de memórias implícitas do bebê saber segurar a mamadeira, ou reconhecer que é hora de mamar quando a mãe o pega no colo. O segundo sistema, responsável pelas memórias explícitas, ou seja, aquelas que podem ser descritas (nomes, eventos, histórias), começa a se desenvolver juntamente com o primeiro, mas de maneira mais rudimentar, funcionando para manter memórias apenas por alguns segundos.

Quando o bebê está entre seus 6 e 12 meses de idade, o sistema de memórias explícitas adquire seu contorno mais sofisticado e a criança já é capaz de se lembrar de nomes e acontecimentos por um período longo de tempo. É também nessa fase que se desenvolve um terceiro tipo de memória, conhecida como memória operacional. É ela que permite que um pequeno conjunto de informações seja mantido disponível à consciência por um curtíssimo período de tempo, desempenhando papel essencial nos processos de aprendizagem.

Mas, apesar do desenvolvimento da memória ao longo dos primeiros meses de vida, não somos capazes de nos lembrar deles. Isso acontece porque o cérebro de um bebê, ao se desenvolver, sofre transformações de forma acelerada, o que leva à perda de dados nele gravados. Pode parecer ruim, mas este é um processo necessário para que informações novas e mais importantes possam ter seu lugar em nossa memória.

Mariana Castro

Fonte: Papalia, 2006. Desenvolvimento Humano. Artmed

Akers et al, 2014. Hippocampal Neurogenesis Regulates Forgetting During Adulthood and Infancy. Science.

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Juliana Guntert

Professora, formada em letras e administração e com técnico em comércio exterior. Tem como aspiração de vida poder conversar com o mundo inteiro.