Genética x ambiente: o que nos torna o que somos?

Imagine-se assistindo a uma performance do Cirque du Soleil. Nas alturas, três artistas fazem acrobacias integradas enquanto mantêm discos rodopiando no ar. Apresentações como esta deixam espectadores do mundo inteiro estupefatos com os limites da capacidade humana. Afinal, o que estes artistas têm de especial para serem capazes de tais movimentos? Assim com para se tornar um grande acrobata, ser um músico de destaque ou ser aprovado em um vestibular concorrido, sabemos que é necessária muita habilidade. Mas até que ponto o potencial das crianças pode ser influenciado para que elas fiquem em meio aos melhores?

Há tempos que a controvérsia envolvendo a influência da genética versus ambiente na constituição do ser humano vem sendo alvo de investigação. Recentemente, as pesquisas acerca do comportamento vêm explicando como isso funciona. Muito antes de nascer, toda pessoa é dotada de um código genético que vai interagir de forma única com seu entorno, produzindo características pessoais. Extroversão, idade, peso corporal e inúmeras outras características do indivíduo irão provocar respostas específicas no ambiente. Estas, em contrapartida, influenciarão a expressão genética da pessoa, o que mudará a forma como ele irá interagir no mundo. Em outras palavras, há uma via de mão-dupla, onde a genética e as experiências do indivíduo interagem e se influenciam mutuamente.

Mas isso não responde por completo os questionamentos dos pais, dos educadores e dos pesquisadores. É preciso saber o quanto cada um, genética e ambiente, contribuem para o desenvolvimento infantil. Afinal, se a criança e os pais tem péssima coordenação motora, é possível esperar que o pequeno se torne um músico profissional de destaque? É preciso saber se investir em uma certa habilidade trará ganhos grandes ou pequenos. A pergunta de um milhão de dólares parece estar sendo respondida pela ciência.

Um estudo recente reuniu dados dos últimos 50 anos sobre os efeitos dos genes e do ambiente em diferentes aspectos do comportamento humano. Para cada característica pessoal, há certa variação na carga de influência da genética. Por exemplo, quanto aos traços de temperamento e personalidade em crianças de 0 a 11 anos de idade, 42% é herança genética, enquanto os 58% restantes derivam de experiências com O entorno. De maneira semelhante, 44% da ocorrência de transtornos emocionais com início na infância pode ser atribuído à genética, sendo 56% ao ambiente. Algumas outras características, como problemas decorrentes de relações familiares, têm influência ainda mais marcante do ambiente – 81% neste caso, sendo 19% da genética.

Apesar das variações, características semelhantes, vinculadas a funções semelhantes no organismo, apresentam influência genética também proporcional. Tomando as características estudadas como um todo, a influência genética apresenta uma média de 49%. Ou seja, para os fatores humanos em geral, tanto as experiências externas quanto as predisposições genéticas contribuem de forma relativamente equilibrada. Sim, a tendência a ser habilidoso é muito importante, mas o que fazemos com isso determina o resultado final.

Juliana Nassau Fernandes

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Juliana Guntert

Professora, formada em letras e administração e com técnico em comércio exterior. Tem como aspiração de vida poder conversar com o mundo inteiro.

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