As preferências visuais dos bebês

Desde bem pequenos os bebês já possuem interesses. Visualmente, quais são eles? Em 1963 um grande avanço na compreensão dos interesses dos bebês foi feito: ao estudar a percepção visual de bebês, Robert Fantz percebe que eles focam a sua visão em objetos diferentes e por diferentes intervalos de tempo. Antes imaginava-se que o olhar dos bebês – que muitas vezes parece aleatório – era uma tentativa de dar sentido ao mundo, como se eles estivessem tentando dar algum sentido para aquela confusão de coisas que estão vendo. Porém, o que se descobriu é que não é bem assim…

Em suas descobertas iniciais, Fantz percebeu que bebês já com 2 meses de idade dedicam muito mais sua atenção a objetos com formas e padrões definidos do que objetos simples. Em outras palavras, observar um rosto ou um animal é muito mais interessante do que olhar para círculos coloridos. Além disso, observar um rosto humano organizado (olhos, boca, nariz em seus devidos lugares) é muito mais interessante do que observar um rosto onde essas feições estão espalhadas por aí (Ver imagem 1). É importante ressaltar: essas crianças nasceram há pouco tempo e não houve tempo para que elas sejam ensinadas a fazer isso: elas já foram programadas pela natureza para entrar no mundo sabendo o que é um rosto humano. Dando assim condições para que elas possam construir seu conhecimento sobre o que são os seres humanos, como se comunicam e que cada pessoa é diferente. Podemos dizer que os bebês – desde o nascimento – não precisam aprender a ver, mas que precisam ver para aprender.

Os bebês tem dificuldade de focar a visão e devem aprender a usar a habilidade dos seus olhos de maneira a compreender distâncias. Para ver como os bebês conseguem focar sua visão no mundo, faça o seguinte experimento: feche um olho e coloque o seu dedo indicador a um palmo de distância deles, depois disso rapidamente distancie ele e tente manter o foco. Sentiu um certo desconforto? Isso é normal, pois seus olhos estão ajustando o foco visual de uma distância pequena para uma distância média. Bebês não conseguem fazer isso tão rápido como adultos e isso acaba prejudicando a noção deles de profundidade. Isso faz com que objetos próximos sejam muito mais interessante para eles do que objetos distantes pelo mero fato de que seus olhos não conseguem mudar de foco rapidamente.

Assim, podemos dizer que bebês amam faces humanas (principalmente quando acompanhadas por voz) e brinquedos não são algo que lhes interessam tanto quando ainda são muito pequenos. Porém, na medida em que crescem passam a ter capacidade de explorar objetos com as mãos e compreender o papel deles no espaço ao seu redor, e isso permite que o bebê possa ter a base para aprimorar outras habilidades essenciais para sua vida, tais como memória visual, senso de profundidade, discriminação de detalhes, integrar elementos visuais com outros (por exemplo, audição) e muitos mais. Portanto, é essencial que sejam estimulados desde cedo.

Referência: Schwartz, S. (2009). Visual Perception: A Clinical Orientation: A Clinical Orientation. McGraw Hill Professional.

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