Amor de mãe é coisa séria!

Amor de mãe como fator protetivo para os filhos

Não é de hoje que amor de mãe é assunto popular. Igualmente, a ideia de que crianças se desenvolvem melhor em ambientes enriquecidos também é bastante difundida, com estudos investigativos com início em meados de 1940. Interessante é quando esses dois temas se encontram! Desde muito tempo, Estudos compreendendo animais sugeriram que mães cuidadosas poderiam interferir no desenvolvimento do cérebro. E em 2012, pesquisadores de uma Universidade em St. Louis, nos Estados Unidos, foram atrás de entender como isso se aplicaria em humanos. Partindo de uma questão que parece intuitiva, realizaram um estudo que sugere que o cuidado de uma mãe com seu filho pode de fato interferir no desenvolvimento da criança. De acordo com eles, crianças que vivem a primeira infância em um ambiente de apoio emocional e cuidado apresentam, em idade escolar, maior desenvolvimento do Hipocampo, uma região no cérebro importante para aprendizagem, memória e resposta ao estresse.

Participaram deste estudo cerca de 92 crianças avaliadas inicialmente durante o período pré-escolar, aos 3 a 5 anos de idade, e mais tarde, aos 7 a 13 anos. Interações entre pais e filhos foram observadas em ambiente experimental, as quais foram avaliadas por neurocientistas e psiquiatras quanto à exposição ao afeto e cuidado maternos. Mais tarde, essas mesmas crianças, então em idade escolar, foram submetidas a exames de neuroimagem para avaliação do tamanho do hipocampo. Ao final das análises, os pesquisadores encontraram resultados que sugeriam que crianças submetidas a maior afeto e suporte maternos durante a primeira infância, em idade escolar teriam um Hipocampo cerca de 6% a 10% maior em relação às outras crianças, o que indica uma relação positiva e direta do cuidado materno no desenvolvimento infantil.

Similarmente, um estudo de 2011 sugere que adultos que tiveram uma infância marcada pelo cuidado e afeto maternos apresentam um estado geral de saúde melhor do que aqueles que não possuíam esse histórico de relacionamento positivo com suas mães. A pesquisa tinha o objetivo de investigar o impacto da exposição a ambientes socioeconomicamente desfavorecidos durante a infância na saúde geral de adultos, que seriam mais propensos a desenvolver doenças crônicas do que aqueles criados em ambientes mais favoráveis. O curioso é que, ao final da pesquisa, os resultados sugeriam que crianças expostas a um ambiente desfavorável, mas que apresentavam alto nível de cuidado materno durante a infância, quando adultos apresentavam menor taxa de desenvolvimento de doenças crônicas quando comparados àqueles criados na mesma situação socioeconômica, mas com menor nível de atenção das mães.

Dessa forma, como os dois estudos citados acima sugerem, o suporte e o afeto maternos exercem um papel protetivo no que se refere ao desenvolvimento das crianças. Esses dados legitimam a ideia do amor dos pais para o crescimento dos filhos, e chamam a atenção para a importância do trabalho em conjunto com a escola e os professores, uma vez que tanto quanto esse estímulo educacional, o afeto é também importante no desenvolvimento. Diante disso, o amor materno pode funcionar como fator de proteção para as crianças, influenciando não apenas emocionalmente, mas também o desenvolvimento físico dos seus filhos. Enfim, amor de mãe é mesmo coisa séria!

Referências:

Luby JL, Barch DM, Belden A, Gaffrey MS, Tillman R, Babb C, Nishino T, Suzuki H, Botteron KN. Maternal support in early childhood predicts larger hippocampal volumes at school age. Proceedings of the National Academy of Sciences Early Edition, Jan. 30, 2012. www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1118003109.

Miller, G. E., Lachman, M. E., Chen, E., Gruenewald, T. L., Karlamangla, A. S., & Seeman, T. E. (2011). Pathways to resilience maternal nurturance as a buffer against the effects of childhood poverty on metabolic syndrome at midlife. Psychological science, 22(12), 1591-1599.

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